Eu não preciso de uma terceira pessoa para falar de mim, não dessa vez. E eu não quero. Eu sou boa demais para precisar me esconder. Não quero mais me conter, não vou mais dar passos para atrás, sofro de uma amnésia forçada e compulsiva. Quem fez parte do meu passado? Nem lembro mais. Nomes? Não faço ideia. O que foram? Não sei te dizer, desculpa. Se foram, foram. Não deveriam e nem devem estar. E sinceramente? Nem sei de quem estou falando. Com o passar dos anos, com a transcedência das fases, fui me tornando mais e mais, crescendo mais e mais, uma constante evolução em todos os aspectos, sou a metamorfose que não sabe quando parar de mudar. Nessas tantas mudanças, percebi que sou pra poucos. Poucos amigos, poucos romances, poucos parentes, poucos momentos, poucos sentimentos, poucas crenças. Sou o básico da extremidade do racional e da medida do cabível. Me serviu? Ótimo. Não serve? Por favor, vá para outra fila. Não sou para os que não sabem o que querem, para os com 20 anos vividos e 10 desenvolvidos. Não sou para os que impõe regras. Não sou para os que “ela é infantil e idiota, terminei, não aguentava mais” e logo em seguida “a levei ao shopping, voltamos”. Não sou para os que intercedem e ditam que todos devem ajudar, quando morrem sem nem ao menos doar uma gota de sangue. Não sou para os vazios. Para os meia-boca. Para os garotos da mamãe. Para os modinhas. Para os que vivem da necessidade de usar das pessoas para usar a vida. Não sei quantos mais são assim, mas sinto que não preciso mais me esconder. Se esse não é você e se não concorda com isso, também não ligo, não sou para você também. Eu não preciso de uma terceira pessoa para falar de mim, não dessa vez.